A História do Jazz Dance – Bob Fosse

A História do Jazz Dance – Bob Fosse
Por Andre Gama

Nascido em 23 de Junho de 1927, o Diretor-Coreógrafo Bob Fosse mudou para sempre a o modo de como o público ao redor do mundo veria a dança nos palcos e na indústria cinematográfica no final do século 20. Visionário, intenso e incrivelmente motivado, Fosse foi um artista o qual seu trabalho sempre foi provocativo, de entretenimento e diferente de tudo que fora visto antes. Sua dança foi sexual, fisicamente exigente mesmo para os bailarinos mais bem treinados, cheio de humor alegre assim como de um cinismo sombrio – trabalho que contemplou toda a gama de emoções humanas. Através de seus filmes ele revolucionou as apresentações de dança na tela e abriu o caminho para toda uma nova geração de diretores de filmes e de vídeo, mostrando a dança através das lentes como ninguém havia feito antes, prenunciando a ascensão da era de vídeos de música e dança da MTV.

Robert Louis Fosse nasceu em Chicago, no estado de Illinois. Bob foi o mais novo de seis irmãos e rapidamente aprendeu como ganhar a atenção de sua família através de sua dança. E não demorou muito para ele ser reconhecido como criança prodígio. Seus pais o enviaram para aulas formais, onde ele foi imerso no Sapateado. Mesmo sofrendo com problemas de saúde, ele foi extremamente dedicado, tanto que ao chegar no Ensino Médio ele já dançava profissionalmente nas casas noturnas da área como parte dos shows burlescos e de Sleazy Vaudeville. A atmosfera sexualmente livre destas casas noturnas e as strippers com as quais Fosse esteve em constante contato causaram nele uma forte impressão. Fascinado pelo humor negro de Vaudeville e seus provocativos tons sexuais, ele mais tarde desenvolveria estes temas em seu trabalho adulto. Após o ensino médio, Fosse se alistou na Marinha em 1945. Tão logo ele chegou a campo, o dia da vitória foi declarado, e a II Guerra Mundial oficialmente terminava. Fosse completou seu compromisso de 02 anos e se mudou para Nova Iorque.

Nos 07 anos seguintes, Fosse entrou em dois casamentos com as bailarinas Mary Ann Niles e Joan McCracken, ao mesmo tempo se apresentando em shows de variedades nos palcos e na televisão. Ele teve alguns papéis menores em coros da Broadway, mas sua grande estreia foi sua breve aparição no filme musical “Kiss Me, Kate” de 1953, da MGM. Fosse imediatamente ganhou a atenção de dois dos grandes mestres da Broadway: George Abbott e Jerome Robbins.

O primeiro show totalmente coreografado por Fosse foi “The Pajama Game”, de 1954. Dirigido por Abbott, o show fez de Fosse um sucesso repentino e apresentou seu estilo coreográfico: estocadas de quadril para a frente sexualmente sugestivas; o humor de Vaudeville de ombros curvados e pés voltados para dentro; a incrível articulação “quase mímica” das mãos. Ele muitas vezes vestiu seus bailarinos de preto e os colocou em luvas e sapatos brancos, relembrando a imagem de Charles Chaplin. Ele incorporou todos os truques de Vaudeville que ele aprendeu – descidas-de-nádegas, deslizadas de mãos e double takes. Fosse recebeu seu primeiro de muitos Prêmios Tony de Melhor Coreografia por “The Pajama Game”.

Em seu musical seguinte, “Damn Yankees”, conseguiu mais prêmios e estabeleceu sua parceria criativa vitalícia com Gwen Verdon, a qual teve o papel principal. Com a inspiração de Gwen, Fosse criou um fluxo de trabalhos clássicos. Em 1960 Fosse já era um coreógrafo conhecido e respeitado nacionalmente, casado com Verdon (então uma adorada estrela da Broadway) e pai de Nicole, filha do casal. Ainda assim, Fosse lutou com muitos de seus produtores e diretores, os quais queriam que ele diminuísse ou retirasse as partes “controversas” de suas danças. Cansado de subverter sua visão artística em prol de “ser apropriado”, Fosse realizou o que ele precisava para ser diretor, assim como coreógrafo, para ter total controle de suas danças.

No final da década de 1960 até o fim da década de 1970, Fosse criou uma série de musicais de teatro e filmes inovadores. Estes trabalhos refletiram o desejo de liberdade sexual presente nos EUA nesta época e foram um grande sucesso. Antes de Fosse, a dança era sempre filmada de frente ou de cima. Em sua versão em filme de “Sweet Charity” de 1969 (A versão de Fosse de 1966 do mesmo musical para o teatro foi baseada no filme do diretor italiano Federico Fellini, sobre a busca de uma prostituta pelo amor; o filme foi encomendado pela Universal Studios após o sucesso nos palcos) e nos trabalhos posteriores, Fosse introduziu cenas de perspectivas únicas e cortes de saltos. Estas técnicas de filmagem e edição se tornariam práticas básicas para os diretores de vídeo clips das décadas seguintes.

Seu filme “Cabaret”, de 1972, foi baseado nas histórias de Christopher Isherwood da Alemanha Pré-Weimar (O período histórico da Alemanha Weimar vai de 1919 até 1933). Artigos relacionados ao filme apareceram em todas as maiores revistas, com fotos também em capas da revista Time e Newsweek. O filme foi o maior sucesso de público de Fosse e ganhou oito Oscars (Academy Awards). “Pippin”, de 1972, se tornou o maior sucesso de bilheteria da história da Broadway, assim como o primeiro show da Broadway a ter um anuncio na televisão. “Pippin” foi premiado com cinco Prêmios Tony pela temporada de 1972-1973, um deles dado a Fosse como melhor diretor e melhor coreografia. Fosse atuou e coreografou um show de variedades especial para a NBC, estrelando Liza Minnelli, chamado “Liza With A Z”, o qual deu a Fosse um Prêmio Emmy e o tornou a primeira pessoa a ganhar as maiores honras em três mídias de entretenimento - teatro, cinema e televisão.

Seguem-se dois outros musicais de teatro: “Chicago”, de 1975 e “Dancin”, de 1978. Durante os ensaios de “Chicago”, Fosse sofreu um infarto. Ele sobreviveu e usou muito desta experiência traumática em seu filme semi-autobiográfico “All That Jazz”. Dois outros filmes, “Lenny”, de 1974, e “Star 80”, de 1983, não foram tão populares e sucessos como seus outros filmes foram. “Big Deal”, o último musical de Fosse, foi também pouco aceito. Depois de um ensaio para a refilmagem de “Sweet Charity”, Fosse sofreu um infarto fulminante e morreu a caminho do hospital. A contribuição de Fosse para o entretenimento nos EUA permaneceu após sua morte como remontagens de seus shows e aulas de dança. Sua contribuição mais proeminente foi através do corpo de seu trabalho gravado em filme e vídeo.
Quando Bob Fosse morreu em 23 de setembro de 1987, muitas pessoas se entristeceram pela sua repentina morte, mas poucos se surpreenderam. Fosse sempre foi um homem que abraçou a vida totalmente, e sua morte em uma idade relativamente jovem, 60 anos, não foi um choque para quase ninguém. De fato, muitos de seus associados ficaram surpresos de ele ter vivido tanto tempo.

Carregado de uma energia desenfreada e tremendos dons artísticos, Fosse foi um dos grandes coreógrafos do século XX. Embora ele tenha forjado seu ofício nos palcos da Broadway e no cinema, ele foi um grande artista, assim como Nijinsky, Balanchine ou Demille.

Ele também foi uma das personalidades mais tolerantes de sua época, pois aplicou o mesmo ritmo frenético em sua vida pessoal assim com fez com seu empenho artístico. Um fã do álcool e das drogas, Fosse eventualmente moderou seus hábitos após seu primeiro infarto no início dos anos 1970. Mas ele nunca moderou com as mulheres. Casado três vezes, Fosse teve uma lista quase sem fim de flertes.

Como artista, Fosse ficou conhecido pelo seu estilo totalmente moderno, como uma assinatura que jamais poderá ser confundida com ninguém mais. O estalar de dedos são unipresentes, assim como “chapéus côco” inclinados. Rotações de quadris e ombros aparecem frequentemente, assim como saídas para trás. Giros de quadris e resistências predominam, assim como luvas brancas e gestos de uma única mão. O próprio Fosse muitas vezes chamou a mistura massiva destes movimentos de “amoeba”, e esta palavra assim como qualquer outra descrevem seu estilo particular, ao mesmo tempo fluído e angular.

Fontes: Excerpted from ST. JAMES ENCYCLOPEDIA OF POPULAR CULTURE. 5 VOLS., St. James Press, © 2000 St. James Press.
http://www.pbs.org/wnet/broadway/stars/fosse_b.html
http://www.voiceofdance.com/v1/listing.cfm/17772///Bob-Fosse.html

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